CRÔNICA- Nos Labirintos de Um Amor Perdido.



Acordei, mais uma vez, com você na mente. É curioso como, mesmo sem qualquer convite, você se instala nos meus pensamentos, bagunça o meu dia e me lembra que, em algum lugar, está vivendo uma vida onde eu não existo.

Já faz tempo, mas sua presença persiste, como uma sombra que me acompanha. Lembrei do dia em que nos conhecemos. Naquele instante, jamais imaginei que você teria tamanho impacto em mim. E agora, anos depois, aqui estou eu, colecionando feridas e lágrimas derramadas por alguém que nunca foi meu.

Tantas vezes jurei a mim mesma que tinha superado você. Fiz promessas, ouvi os conselhos das amigas, segui em frente. Ou pelo menos tentei. Mas bastou uma foto sua surgir no meu feed — ao lado de uma garota qualquer — para que tudo desabasse de novo. Chorei. No ônibus, no meio de estranhos, senti o peso de uma dor que parecia nunca ter fim. Que ironia, não? Sentir que perdi algo que nunca tive. Mas, se nunca foi meu, por que doi tanto?

E então, como num teatro do destino, te encontrei novamente. Lá estava você, no lugar mais improvável possível. Mas, diferente de outras vezes, dessa vez não consegui segurar as lágrimas. O mundo, tão vasto e cheio de possibilidades, pareceu se encolher. Só existia eu e você, e a cena que eu temia assistir mais uma vez:  Você conversando com outra garota.

Fiquei parada, como uma estátua, tentando disfarçar o pranto que insistia em escorrer pelo rosto. Ah! Como eu queria, só por um instante, ter controle sobre o meu coração, mandar nele, fazê-lo obedecer. Mas os sentimentos são insubordinados, não é?

Tentei enfrentar esse turbilhão que você sempre traz consigo. Tentei sorrir, fingir que tudo estava bem. Mas a verdade é que amar você se tornou um cativeiro. Estou presa entre a esperança e o desespero, entre o querer e o não poder. E, enquanto isso, só me pergunto: até quando vou carregar esse amor que é só meu?


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